A Origem: a obra prima de Nolan



Não costumo endeusar diretores ou idolatrar obras específicas, como Star Wars, Matrix e Senhor dos Anéis. Apenas uma coisa eu me deixo idolatrar e ela possui duas palavras: Irmãos Coen.

Seria clichê dizer que A Origem, até o momento, é, e provavelmente será, o melhor filme do ano. Mais é a pura verdade e não tem como sair disso.

Também seria clichê, ou provavelmente risco, dizer que Christopher Nolan criou sua maior obra prima? Pois então corro o risco e digo que A Origem é a maior obra prima de Christopher Nolan.

Todos são só elogios ao filme. Ele merece toda essa fama? Provavelmente.

Cobb (Leonardo DiCaprio) e Arthur (Joseph Gordon-Levitt) são espiões corporativos que roubam informações para seus clientes pelos sonhos daqueles que os tem. Mas uma proposta de Saito (Ken Watanabe) para ter sua situação legalizada e retornar para sua vida faz Cobb aceitar um trabalho até então jamais feito: ao invés de extrair a informação, planta-la.

Para isso, Cobb precisa de uma equipe com os melhores de suas áreas: a arquiteta Ariadne (Ellen Paige), o falsificador Eames (Tom Hardy) e o químico Yusuf (Dileep Rao), mergulhar até a terceira camada do subconsciente do herdeiro industrial Robert Fischer (Cilliam Murphy) e fazer de tudo para que Mal (Marion Cotillard) não estrague seus planos.

Como dito por vários críticos e jornalistas, é o blockbuster mais original já feito há muito tempo, se parar e olhar que a maioria dos últimos cinemas pipocas foram adaptações de quadrinhos, literatura fantástica, videogame e remakes de antigos filmes e seriados.

Não o considero, essencialmente, UM blockbuster e também não o comparo com Matrix, pois o acho melhor.

Melhor, simplesmente por se parecer real, se passar nos dias de hoje e por ser guiado totalmente pelo roteiro e não pelos efeitos especiais. Pelo menos 20% do filme são efeitos visuais. Os outros oitenta são divididos em ação, roteiro e um elenco impecável.

Mas isso não é novidade em se tratando de Chris Nolan. Num elenco onde apenas três já trabalharam antes com ele (Michael Caine, Murphy e Watanabe) e levar, sem dificuldade alguma, uma vencedora e dois indicados ao Oscar (Cotillard, DiCaprio e Page, respectivamente). Não é trabalho fácil, mesmo sendo DiCarpio um dos melhores atores do momento, com um currículo onde você não vê um filme pequeno, tanto em produção quanto em roteiro.

Isso sem falar em Gordon-Levitt e Tom Hardy que estão muitíssimos bem. O primeiro é um realidade, que despontou em 500 dias com Ela e o segundo foi uma grata surpresa, mesmo tendo uma carreira de quase 10 anos.

Uma outra característica de Nolan está sendo o de resgatar velhas figuras do cinema que ficaram no esquecimento. A primeira foi a de Hutger Hauer em Batman Begins e agora é a de eterno marrento Tom Berenger.

O roteiro é um caso a parte. Dado ao assunto e a possibilidade que o filme da, a chance de ter um furo no roteiro e você não perceber e não achar que isso seja um furo exatamente é muito grande. A desculpa, e a idéia, do totem é muito boa.

Mas o que mais chama a atenção é exatamente a carreira de Nolan como diretor, onde não há um filme ruim e comparando sua com a carreira a de outros diretores temporais, como M.Night Shyamalan e Guy Ritchie, a de Nolan é bem mais sólida. Seu filme mais fraco é Insônia e consegue balancear entre filmes pipocas e filmes autorais. Coisa que Sam Raimi não conseguiu.

Os grandes cineastas ainda são aqueles que fizeram história nos anos 50, 60 e 70. Alguns bons cineastas apareceram nos anos 80. Parece que Christopher Nolan, com apenas seis filmes, vem para mudar essa história.

Esse Roger Cruz

Quem foi nerd nos anos 90 tem uma ótima lembrança (se é que podemos dizer  assim) como eram as coisas pré-internet. A galera dos quadrinhos se pautava pela Wizard, a Image nascia e também foi nesse momento que muitos artistas passaram a desconstruir a anatomia dos super-heróis. A criação do próprio estilo dominou a década e nessa leva alguns artistas brasileiros começaram a dar as caras nas editoras gringas Marvel e DC, iniciado por Marcelo Campos .

Os dois brazucas que começaram a chamar a atenção foram Mike Deodato Jr. e sua escultural Mulher Maravilha e Roger Cruz com sua penca de mutantes.  Deodato nunca entrou em polêmicas, com relação ao seu trabalho. Já Cruz foi diversas vezes  acusado de copiar o estilo (e algumas vezes até a posição de personagens desenhados anteriormente) de Joe Madureira: um dos caras que solidificou o traço “ajaponesado” nos quadrinhos de super-heróis.

O clima chegava ao ponto de Madureira colocar piadas e ofensas leves no fundo da ação do quadrinho, como outdoors e fachadas de estabelecimentos dos desenhos que fazia. Não me lembro de uma resposta de Cruz em relação a isso, apesar de ser a mais pura verdade.

Os primeiros trabalhos que eu vi do Roger era um Jim Lee um pouco piorado. Depois ele mudou para o Madureira e ficou com esse traço um bom tempo. Volta e meia apareciam uns desenhos aqui e ali, uma capa de revista e tal, com um traço diferente, mais nada que se sustentasse em outras revistas.

Os anos 90 passou e Cruz, junto com toda a galera do desenho que representava o Brasil lá fora, sumiu das revistas de uma certa forma.

A sumida se deu pela criação da Fábrica de Quadrinhos (hoje  Quanta), escola de arte  que virou referência na formação de profissionais das artes gráficas, onde ele,   Campos e mais uma galera perceberam a carência de algo do gênero no Brasil, especificamente em histórias em quadrinhos. Cruz passou a dar aulas na Fábrica por algum tempo  e, paralelamente, começou a fazer ilustrações para agências de publicidade.

Na metade da década de 2000 ele voltou aos quadrinhos gringos e eu não peguei seus trabalhos por abandonar quase que totalmente os supers e me dedicar aos quadrinhos adultos, de humor e charges em geral.

Dos 90 para os 2000 muita coisa mudou e em escala industrial. O Brasil tinha um cenário de quadrinhos independentes muito underground e pouco organizado. O fenômeno Bá/Moon começou a tirar o preconceito de que não tinha quadrinho nacional com bom conteúdo, em material de boa qualidade e em arte original. Diversos artistas apareceram depois disso e o movimento quadrinista voltou e ultrapassou a expectativa, com uma produção nacional para consumo nacional.

No twitter tem todo mundo e de tudo um pouco. Numa dessas retuítadas de pessoas que eu sigo, apareceu o  twitter do Roger Cruz entre eles e cliquei no link que dava para o seu blog.  O susto veio com o pensamento maldoso de “ele aprendeu a desenhar!”. Ele tinha refinado o traço e agora conseguia mudá-lo de forma original. A prova pode ser vista em seus trabalhos mais recentes para a Casa das Ideias, como X-Men: First Class e mais recentemente em Uncanny X-Men: First Class.

O que deve ter acontecido é o seguinte: É óbvio que um ilustrador/quadrinista começa ruim, copia aqui e ali, melhora  e com o tempo, força de vontade e mais experiência, a tendência é que se melhore o trabalho. Essa sumida foi boa para o Cruz porque ao virar professor ele passou a lecionar aquilo que antes ele apenas fazia para um determinado cliente. E quem da aula sabe o quanto é difícil e chato, a primeiro momento, passar para o outro lado, ensinar as técnicas e os métodos, montar aulas e esse tipo de rotina. Com certeza o domínio da arte foi bem maior e necessário.

O outro momento foi a  ida para ilustração de publicidade, onde ou você faz arte do jeito que a agência quer ou então perde o trampo. O desenho pelo desenho, sem o compromentimento de seguir um storyboard mais detalhado, tando de hqs quanto de filmes publicitários.

Teorias e suposições a parte, o importante é que o resultado final é esse Roger Cruz, ilustrador de várias facetas que como todo profissional de hoje desenha, arte-finaliza, colore e se vacilar deve passar um café que é uma beleza. =D

Independentemente se o que fez no passado é bom ou ruim, Cruz é um dos caras que já está na história do quadrinho nacional, popularizando e mostrando a qualidade do desenhista brasileiro ao mercado norte-americano. E você percebe isso pelo carinho como os profissionais da área falam dele.

Nesse mês ele lançou um trabalho longe dos grandes estúdios e com toda a liberdade criativa que lhe é possível e que ele possui. O resultado foi Xampu: Lovely Losers (Devir, 80 págs.) , onde ele empresta um pouco das suas experiências pessoais como jovem nos anos 80 e o cenário musical e cultural da época para contar a história de um grupo de amigos.

Acho que é a primeira vez que comprarei um trabalho do Roger Cruz, não pela revista, mas pelo artista. Isso é bom sinal.

Renascendo das cinzas

Eu mesmo tomei um susto quando vi que o blog não era atualizado desde setembro. Os  motivos para  isso ter acontecido não foi somente a preguiça, mas também algo qua afetou a todos no mês de novembro: APAGÃO.

Bom, até o momento eu continuo sem micro. A sorte foi que o Dylbert (sim esse é o nome dele e não é meu amigo imaginário personagem de quadrinhos), velho amigo dos tempos de escola, meu deu seu notebook velho, alegando que estava com  uns probleminhas e que estava muito lento para ele jogar seu Street Fighter 4 nele. Aí fiz esse tremendo sacrifício e cá estou, escrevendo dele, enquanto a CPFL (empresa fornecedora de luz em Santos) continua me enrolando.

Nesse ínterim eu comecei meu processo de desintoxicação da internet e voltando para as drogas clássicas que cheguei a mencionar pelo twitter: dvds, livros, revistas e me rebaixando à MTV. Foi uma ótima experiência e deu uma oxigenada em algumas ideias. Como não faz nem um mês que estou com note em casa, ainda estou me atualizando nas séries Fringe, Dexter, House, Glee e começando Misfits. E agora tenho que correr contra o tempo para ficar por dentro das possíveis indicações do Oscar que terá 10 filmes nesse ano.

Também passo a escrever uma coluna no Coletivo Action, sobre a cultura pop de sempre, só que com um viés mais underground. Além da tentativa de enveredar pelo Jornalismo Gonzo. Aí vamos nós!

E finalmente quando A ARCA consegue seu .com.br, ela morre. É óbvio que nem eu e nem ninguém queria que isso acontecesse, já que foi lá onde tudo começou. Só que cada um está focado em um  novo projeto e aí ficou difícil de reatar o antigo romance. Paciência e continuemos com nossos blogs. Somos todos amigos e os encontros em Santos e em Sampa continuarão rolando como sempre.

2010 já começou e mais uma vez tentarei não desapontar.

Eu, músicas e afins na Music Boulevard

Spider-Man_guitarEu já não estou conseguindo manter um blog sozinho, como vocês podem perceber, e agora arranjo mais sarna para me coçar.

O motivo é que fui convidado pelo meu amigo, designer e fotógrafo Luiz Felipe Leite, ou simplesmente L8, para escrever sobre música no seu projeto intitulado Music Boulevard. Na verdade nada mais é do que um blog sobre notícias de músicas. Tentaremos ser o mais democrático possível e enveredar por alguns outros tipos de sons.

Não sei o real motivo do convite. Talvez seja nosso gosto similar em algumas coisas, ou meu gosto por sons como samba, samba-rock, soul, funky e bandas que usam instrumentos de sopro em demasia.

Bom, deem uma passada por lá.

O endereço é http://www.musicboulevard.com.br/

Trailers dos novos projetos dos Coen e Wes Anderson caem na net

fantastic_mr_fox

Desde ontem dois trailers que eu esperava há bastante tempo caíram na net. Tratam-se de A Serious Man e Fantastic Mr. Fox, dirigidos por Irmãos Coen e Wes Anderson, respectivamente.

A Serious Man mostra a vida de Larry Gopnik desmoronando em sua própria cabeça quando sua mulher decide se dirvociar para ficar um colega de trabalho de Larry melhor sucedido, seu filho dando problemas na escola judaica, sua vaga vitalícia na universidade em que leciona indo pelo ralo por causa de um aluno, seu irmão desempregado dormindo no sofá, sua filha te roubando, sua vizinha gostosa te tentando e espera a resposta de três rabinos para seus problemas.

Fantastic Mr. Fox é uma animação em stop motion baseada na obra de Road Dahl, de A Fantástica Fábrica de Chocolate, que conta a história de Mr. Fox, com sua família, e amigos defendendo o vale em que vive contra três ardilosos fazendeiros. O filme conta com as as vozes de George Clooney, Meryl Streep, Jason Schwartzman, Bill Murray, Owen Wilson, Adrien Brody, Willem Dafoe, Michael Gambon, Brian Cox e Angelica Huston.

O primeiro eu já esperava coisa do gênero já que estamos falando do humor negro de Joel e Ethan Coen, que voltam a pegar um elenco de deconhecidos do publico. Pelo que foi mostrado, esse filme me cheira a algum prêmio.

Já a animação é uma grande novidade para Anderson e para aqueles que curtem suas produções. Também podemos ver que a patotinha de atores que ele costuma utilizar está lá. Os únicos que ainda não tinham trabalhado com o diretor era Clooney e Meryl.

Independentemente da aceitação já é minha aposta para o Oscar de animação do ano que vem.

Gatos e Chineses são os destaques do Anima Mundi 2009

the_cat_piano

Confesso que nunca tive a oportunidade de ir a um Anima Mundi, até ontem, quando Paulo Martini e Julio Almeida, ambos membros na finada A Arca, fomos assistir à sessão das 20 horas de curtas-metragens . Única sessão que dava para irmos.

Paulo, que é o aficcionado por animação de nós, estava indo só para não passar em branco, pois o que ele queria ver e não iria conseguir assistir, enquanto que eu e o Julio estávamos indo por ir e não esperando por nada.

A grata supresa foram duas animações que entramos e consenso e demos nota excelente, dentre as sete que vimos e que demos notas: ruim, regular, bom e muito bom.

The Cat Piano é uma animação dos australianos Eddie White e Ari Gibson. Um dos produtores do desenho foi Nick Cave, que também emprestou á sua voz para dar todo clima à narração . O curta mostra um ambiente noir e carregadamente beatnik de um mundo de gatos que vivem a cantar até começar a ser destruído pelo homem.

Mon Chinois (Meu Chinês), animação francesa de Cédric Villain , é uma crítica bem humorada de como nós ocidentais estereotipamos os asiáticos, em especial o chinês, de mostrar coisas importantes que eles criaram e como eles, nesse caso a China, não é nenhuma coitada, se referindo ao comunismo e todo tipo de barbárie que eles já cometeram ou ainda cometem.

Como o próprio Paulo disse: “Foi a melhor animação e a que menos teve animação”.

Sai o primeiro teaser de Alice in Wonderland

Depois de muito mistério e poucas fotos de como está a versão live-action de Tim Burton, do clássico de Lewis Carroll, finalmente caiu na net o primeiro teaser de Alice in Wonderland.

Além de Johnny Depp, Anne Hathaway, Helena Bonham Carter e Mya Wasikowska, que faz o papel título, o elenco ainda traz Alan Rickman, no papel da Lagarta, Michael Sheen como o Coelho Branco e Stephen Fry fica a cargo do Gato Risonho. Elenco nota dez!

Alice in Wonderland estréia no dia 5 de março de 2010, nos EUA. No Brasil a data é 10 de abril de 2010.

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