A Origem: a obra prima de Nolan
agosto 31, 2010 Deixe um comentário
Não costumo endeusar diretores ou idolatrar obras específicas, como Star Wars, Matrix e Senhor dos Anéis. Apenas uma coisa eu me deixo idolatrar e ela possui duas palavras: Irmãos Coen.
Seria clichê dizer que A Origem, até o momento, é, e provavelmente será, o melhor filme do ano. Mais é a pura verdade e não tem como sair disso.
Também seria clichê, ou provavelmente risco, dizer que Christopher Nolan criou sua maior obra prima? Pois então corro o risco e digo que A Origem é a maior obra prima de Christopher Nolan.
Todos são só elogios ao filme. Ele merece toda essa fama? Provavelmente.
Cobb (Leonardo DiCaprio) e Arthur (Joseph Gordon-Levitt) são espiões corporativos que roubam informações para seus clientes pelos sonhos daqueles que os tem. Mas uma proposta de Saito (Ken Watanabe) para ter sua situação legalizada e retornar para sua vida faz Cobb aceitar um trabalho até então jamais feito: ao invés de extrair a informação, planta-la.
Para isso, Cobb precisa de uma equipe com os melhores de suas áreas: a arquiteta Ariadne (Ellen Paige), o falsificador Eames (Tom Hardy) e o químico Yusuf (Dileep Rao), mergulhar até a terceira camada do subconsciente do herdeiro industrial Robert Fischer (Cilliam Murphy) e fazer de tudo para que Mal (Marion Cotillard) não estrague seus planos.
Como dito por vários críticos e jornalistas, é o blockbuster mais original já feito há muito tempo, se parar e olhar que a maioria dos últimos cinemas pipocas foram adaptações de quadrinhos, literatura fantástica, videogame e remakes de antigos filmes e seriados.
Não o considero, essencialmente, UM blockbuster e também não o comparo com Matrix, pois o acho melhor.
Melhor, simplesmente por se parecer real, se passar nos dias de hoje e por ser guiado totalmente pelo roteiro e não pelos efeitos especiais. Pelo menos 20% do filme são efeitos visuais. Os outros oitenta são divididos em ação, roteiro e um elenco impecável.
Mas isso não é novidade em se tratando de Chris Nolan. Num elenco onde apenas três já trabalharam antes com ele (Michael Caine, Murphy e Watanabe) e levar, sem dificuldade alguma, uma vencedora e dois indicados ao Oscar (Cotillard, DiCaprio e Page, respectivamente). Não é trabalho fácil, mesmo sendo DiCarpio um dos melhores atores do momento, com um currículo onde você não vê um filme pequeno, tanto em produção quanto em roteiro.
Isso sem falar em Gordon-Levitt e Tom Hardy que estão muitíssimos bem. O primeiro é um realidade, que despontou em 500 dias com Ela e o segundo foi uma grata surpresa, mesmo tendo uma carreira de quase 10 anos.
Uma outra característica de Nolan está sendo o de resgatar velhas figuras do cinema que ficaram no esquecimento. A primeira foi a de Hutger Hauer em Batman Begins e agora é a de eterno marrento Tom Berenger.
O roteiro é um caso a parte. Dado ao assunto e a possibilidade que o filme da, a chance de ter um furo no roteiro e você não perceber e não achar que isso seja um furo exatamente é muito grande. A desculpa, e a idéia, do totem é muito boa.
Mas o que mais chama a atenção é exatamente a carreira de Nolan como diretor, onde não há um filme ruim e comparando sua com a carreira a de outros diretores temporais, como M.Night Shyamalan e Guy Ritchie, a de Nolan é bem mais sólida. Seu filme mais fraco é Insônia e consegue balancear entre filmes pipocas e filmes autorais. Coisa que Sam Raimi não conseguiu.
Os grandes cineastas ainda são aqueles que fizeram história nos anos 50, 60 e 70. Alguns bons cineastas apareceram nos anos 80. Parece que Christopher Nolan, com apenas seis filmes, vem para mudar essa história.
