Esse Roger Cruz
julho 3, 2010 3 Comentários
Quem foi nerd nos anos 90 tem uma ótima lembrança (se é que podemos dizer assim) como eram as coisas pré-internet. A galera dos quadrinhos se pautava pela Wizard, a Image nascia e também foi nesse momento que muitos artistas passaram a desconstruir a anatomia dos super-heróis. A criação do próprio estilo dominou a década e nessa leva alguns artistas brasileiros começaram a dar as caras nas editoras gringas Marvel e DC, iniciado por Marcelo Campos .
Os dois brazucas que começaram a chamar a atenção foram Mike Deodato Jr. e sua escultural Mulher Maravilha e Roger Cruz com sua penca de mutantes. Deodato nunca entrou em polêmicas, com relação ao seu trabalho. Já Cruz foi diversas vezes acusado de copiar o estilo (e algumas vezes até a posição de personagens desenhados anteriormente) de Joe Madureira: um dos caras que solidificou o traço “ajaponesado” nos quadrinhos de super-heróis.
O clima chegava ao ponto de Madureira colocar piadas e ofensas leves no fundo da ação do quadrinho, como outdoors e fachadas de estabelecimentos dos desenhos que fazia. Não me lembro de uma resposta de Cruz em relação a isso, apesar de ser a mais pura verdade.
Os primeiros trabalhos que eu vi do Roger era um Jim Lee um pouco piorado. Depois ele mudou para o Madureira e ficou com esse traço um bom tempo. Volta e meia apareciam uns desenhos aqui e ali, uma capa de revista e tal, com um traço diferente, mais nada que se sustentasse em outras revistas.
Os anos 90 passou e Cruz, junto com toda a galera do desenho que representava o Brasil lá fora, sumiu das revistas de uma certa forma.
A sumida se deu pela criação da Fábrica de Quadrinhos (hoje Quanta), escola de arte que virou referência na formação de profissionais das artes gráficas, onde ele, Campos e mais uma galera perceberam a carência de algo do gênero no Brasil, especificamente em histórias em quadrinhos. Cruz passou a dar aulas na Fábrica por algum tempo e, paralelamente, começou a fazer ilustrações para agências de publicidade.
Na metade da década de 2000 ele voltou aos quadrinhos gringos e eu não peguei seus trabalhos por abandonar quase que totalmente os supers e me dedicar aos quadrinhos adultos, de humor e charges em geral.
Dos 90 para os 2000 muita coisa mudou e em escala industrial. O Brasil tinha um cenário de quadrinhos independentes muito underground e pouco organizado. O fenômeno Bá/Moon começou a tirar o preconceito de que não tinha quadrinho nacional com bom conteúdo, em material de boa qualidade e em arte original. Diversos artistas apareceram depois disso e o movimento quadrinista voltou e ultrapassou a expectativa, com uma produção nacional para consumo nacional.
No twitter tem todo mundo e de tudo um pouco. Numa dessas retuítadas de pessoas que eu sigo, apareceu o twitter do Roger Cruz entre eles e cliquei no link que dava para o seu blog. O susto veio com o pensamento maldoso de “ele aprendeu a desenhar!”. Ele tinha refinado o traço e agora conseguia mudá-lo de forma original. A prova pode ser vista em seus trabalhos mais recentes para a Casa das Ideias, como X-Men: First Class e mais recentemente em Uncanny X-Men: First Class.
O que deve ter acontecido é o seguinte: É óbvio que um ilustrador/quadrinista começa ruim, copia aqui e ali, melhora e com o tempo, força de vontade e mais experiência, a tendência é que se melhore o trabalho. Essa sumida foi boa para o Cruz porque ao virar professor ele passou a lecionar aquilo que antes ele apenas fazia para um determinado cliente. E quem da aula sabe o quanto é difícil e chato, a primeiro momento, passar para o outro lado, ensinar as técnicas e os métodos, montar aulas e esse tipo de rotina. Com certeza o domínio da arte foi bem maior e necessário.
O outro momento foi a ida para ilustração de publicidade, onde ou você faz arte do jeito que a agência quer ou então perde o trampo. O desenho pelo desenho, sem o compromentimento de seguir um storyboard mais detalhado, tando de hqs quanto de filmes publicitários.
Teorias e suposições a parte, o importante é que o resultado final é esse Roger Cruz, ilustrador de várias facetas que como todo profissional de hoje desenha, arte-finaliza, colore e se vacilar deve passar um café que é uma beleza. =D
Independentemente se o que fez no passado é bom ou ruim, Cruz é um dos caras que já está na história do quadrinho nacional, popularizando e mostrando a qualidade do desenhista brasileiro ao mercado norte-americano. E você percebe isso pelo carinho como os profissionais da área falam dele.
Nesse mês ele lançou um trabalho longe dos grandes estúdios e com toda a liberdade criativa que lhe é possível e que ele possui. O resultado foi Xampu: Lovely Losers (Devir, 80 págs.) , onde ele empresta um pouco das suas experiências pessoais como jovem nos anos 80 e o cenário musical e cultural da época para contar a história de um grupo de amigos.
Acho que é a primeira vez que comprarei um trabalho do Roger Cruz, não pela revista, mas pelo artista. Isso é bom sinal.


Agora vê se atualiza isso até terça feira.
UM parágrafo basta, pq blog não é coluna!
Um COMENTÁRIO superficial basta, pq blog não é coluna!
Esse Roger viu…
Bom, não tenho muito o q falar do Roger, ele é um cara bacana de mais. O conheci na QUANTA, e por mais q falassem q ele não sabia fazer anatomia e como jim lee no inicio, não desenhava pés (bom, isso era verdade) eu fico PUTO até hoje de não ter feito o curso de anatomia de SUPER HERÓIS dele. O cara teve uma evolução monstra, e toda vez q eu falava isso p o PAULO (o fanboy d’A-ARCA) ele meio q vinha com indiretinhas e desconversava. claro q os gostos do benício e do fanboy são totalmente o oposto (o q dá uma quimica única a dupla).
Porém acredito mesmo q o Roger hj, seja um dos PUTAPROFISSIONAIS do ramo de quadrinhos, e não dos de super heróis, dos autorais mesmo, Roger esta p os quadrinhos de autor como o Grampá. Os dois meio q faziam um trabalho prostituido por fora p ganhar grana (Roger com quadrinho americano, e Grampá em produtora de publicidade). Não vou entrar no merito de q eles realmente não gostassem daquilo q faziam, mas fica MUITO CLARO, quando se ve XAMPU, ou MESMO, do q eles realmente gostam, e sabem fazer. Ambos tem uma narrativa e um estilo Único, q os eleva ao patamar de ÓTIMOS QUADRINHISTAS AUTORAIS.
Eu mesmo lembro uma vez, acho q a primeira vez depois de longos 7 anos onde havia visto o Roger, aqui em Santos numa convenção(quem for nerd e da cidade deve se lembrar da comic shop invasores), onde ele, Marcelo Campos e Otavio Cariello (hj posso chama-los de amigos
) vieram p alguns autografos e divulgação de seus projetos autorais na revista METAL PESADO. E foi lá, exatamente lá, q eu vi XAMPU pela primeira vez. Lembrava por demais os trabalhos do LAERTE, e mesmo assim, era muitas mil vezes melhor do q o trabalho de Cruz, nos X-MAN. Acho que XAMPU foi o q me fez vislumbrar uma possibilidade muito além do quadrinho ser apenas “SUPER-HEROIS”, nessa mesma época eu topei com coisas como a Vertigo, o Grant Morrison, e seu ícone Flex Mentallo, e acho q não quis ver super heróis nunca mais. XAMPU é um divisor de águas p mim em matéria de quadrinhos e sempre esqueço de dizer isso…
Mas eu falava de Cruz e XAMPU, algum tempo depois, os 7 anos hehehehe, me vi indo a QUANTA ACADEMIA DE ARTES (fui levado até lá pelo Emilio Elfo, tmb d’A-ARCA). Lá conheci a todos, como cito lá em cima, e por essa amizade, eu fui convidado pelo próprio Marcelo a ir a noite de autografos do q vinha a ser seu primeiro trabalho autoral de verdade depois de 20 anos trabalhando só p os fringos. Um livro de tiras filosóficas (se é q isso existe),intitulado: “TALVEZ ISSO”.
Voltando ao Roger, la estava Cariello, entre outros e o Roger. Bom, autografos, vinho de graça, umas frutas secas, aquelas coisas, e eu resolvi colar no Roger (sem mesmo ele saber quem eu era) e perguntar (bebadão na caruda q Deus deu): – “Cara, seu trabalho de autor com o XAMPU é tão foda. Pq vc vc fica nessa de desenhar neguinho viadinho de colan, Capa, e tudo mais? Pq não volta naquele projeto?”
Eu já achava até q o cara iria me xingar. Quem era eu né, mas, ao contrário de tudo ele disse:- Me pergunto a mesma coisa, acho q preciso pagar as contas. HAhuahuhauha… Aquilo me soou tão natural. E ele falou q se sentia bem fazendo coisas como XAMPU e as GUTIZ GUTIZ (projetos pessoais), levou a minha pergunta na boa e disse que milhões de pessoas perguntavam a mesma coisa p ele :S.
Bom depois daquele dia o cara meio q virou amigo meu (amigo é forçar, pq ele vai lá bem pouco por causa dos prazos, mas ele nunca esqueceu minha fuça, e ja bebemos muita breja juntos ao termino das aulas de sabado de quadrinhos).
Bom Paulo, acho q vc tem q levar em consideração, q fazendo aquilo q ele GOSTA, o cara manda MUITO BEM
!
VIVA O ROGER! VIVA O XAMPU! VIVA O QUADRINHO DE AUTOR! O Brasil prova cada vez mais q a Globalização traz p nós uma salada de estilos q faz de nós Brasileiros “Quadrinhistas” com Grandes caracteristicas e estilos
, focados não só em um tema (como heróis q se reinventam a cada decada) e tirando da simplicidade da vida, grandes histórias.
Abraços a todos!
Victor (RISADA).
Comparar o Roger Cruz com seculos de experiencia com QUadrinhos com o Grampa que fez muito pouco até hj é como comparar um Jack Kirby, um buscema com um desenhista do momento da vida. O povo não tem memória e cospe no prato que comeu. Leva mais em conta a estética do que o esforço do indivíduo. Isso é de se enojar.